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GEMIS – Ação e Debate sobre Mídia e População LGBT

O GEMIS (Gênero, Mídia e Sexualidade) tem como proposta a discussão sobre a produção jornalística relacionada à população LGBT e suas implicações na construção da percepção social sobre estes sujeitos.

Criado em abril de 2014, o grupo é formado por jornalistas, ativistas de movimentos sociais e docentes de universidades envolvidos na luta pelo respeito à população LGBTs. Seu surgimento está relacionado a uma preocupação crescente com os conteúdos que têm sido veiculados pela mídia gaúcha e nacional sobre esta parcela da população, que ao invés de refutar preconceitos e estigmas têm produzido novas formas de discriminação, gerando formas de violência através da linguagem.

Embora nos últimos anos o jornalismo tenha passado a prestar mais atenção a essas populações, inclusive noticiando casos de agressões homofóbicas e transfóbicas, em geral jornalistas ainda não estão totalmente informados sobre as melhores formas de se tratar esses grupos. Isso é percebido por textos com visões estereotipadas, usando expressões inapropriadas, e sem levar em consideração as identidades de cada pessoa.

A partir da constatação de que a veiculação dessas expressões está relacionada a um desconhecimento sobre a maneira adequada de abordar questões como identidade de gênero e orientação sexual, o grupo propõe a realização de interlocução com jornalistas, através de visitas nas redações dos jornais da Capital. Como proposta de ação está a realização de breves palestras e a disponibilização de conteúdo de referência para produção jornalística, com informações baseadas na construção coletiva com movimentos sociais e no Manual de Comunicação LGBT, produzido pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas Bissexuais, Travestis e Transexuais (Abgltt).

Em um segundo momento serão realizadas atividades nas faculdades de Comunicação Social da Capital e Região Metropolitana, em debate com jornalistas em formação. Como proposta a médio prazo, o grupo pretende se constituir como fórum permanente de discussão, onde profissionais da comunicação possam encontrar referências para solucionar dúvidas de forma ágil e precisa.

Acreditamos que a melhor forma de se livrar desses estereótipos é se colocar no lugar dessas pessoas, buscando pensar como cada um se sentiria ao ser retratado de maneira pejorativa. Mas não temos aqui a pretensão de condenar nem escrachar colegas que já tenham reproduzido os pensamentos dominantes a respeito de grupos LGBTs. Pelo contrário, o grupo foi formado com o objetivo de sensibilizar colegas jornalistas, para provocar profissionais que podem até se preocupar com essas questões, mas não sabem como comunicá-las da forma mais adequada. Pois sabemos que quem não vive essa batalha diariamente nem sempre percebe a importância de se ter cuidado ao lidar com essas questões.

Na certeza da necessidade desta discussão em toda a sociedade e da importância da conscientização da responsabilidade social no jornalismo, o Gemis convida vocês a participarem deste debate e construírem futuras ações.

A responsabilidade do jornalismo


Para facilitar o entendimento dessas noções, separamos algumas dicas do manual de ética da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O capítulo sobre a conduta de jornalistas informa em seu XI artigo que é dever desses profissionais “defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias”.

Já o artigo XV coloca como responsabilidade de jornalistas “combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza”. Ou seja, o jornalismo tem a obrigação, além de buscar a verdade, de defender os direitos das minorias e de também não reproduzir e procurar combater perseguições e discriminações.

Sabemos que o jornalismo nem sempre segue as diretrizes estabelecidas, mas acreditamos que uma transformação no jornalismo é possível. É também importante ressaltar o item do manual que explicita que jornalistas não devem “usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime”, o que não vemos acontecer em determinados casos. Seguir essas simples diretrizes já é um primeiro passo para fazer jornalistas refletirem sobre suas próprias ações.

Às vezes, não percebemos o alcance e o poder de nossas palavras. Por isso, é importante lembrar que tudo o que dizemos e escrevemos é tido como informação e como verdade pelo restante da sociedade, o que significa que temos mais responsabilidade na perpetuação de violências e estereótipos do que gostaríamos de acreditar.

História

O GEMIS surgiu a partir do incômodo gerado por uma notícia publicada primeiramente no site do Diário Gaúcho e da Zero Hora, no dia 9 de abril de 2014, a respeito de uma agressão sofrida por Natália Rios, uma mulher trans que estava saindo de uma festa na Zona Leste de Porto Alegre e foi brutalmente agredida. Título da reportagem: “Homossexual sofre agressão brutal na Zona Leste de POA”. O texto expunha o nome de nascença da Natália, dizia que ela era um “homossexual e usa roupas femininas” e que ela era “conhecia como Natália entre amigos”. A matéria ainda informava que a lesão mais grave causada pela agressão, um politraumatismo craniano, havia sido provocada por uma pedra e que “ele (Natália) pode ter caído sobre ela”, sem nem informar quem estaria corroborando essa tese.

- A página do GEMIS no Facebook foi criada no dia 22 de agosto.


- O lançamento público e político do GEMIS ocorreu no dia 9 de setembro de 2014, com um ato e debate no Memorial do RS.


- A Roda de Conversa para debater narrativas midiáticas sobre população LGBT na Aldeia foi o primeiro evento presencial realizado pelo GEMIS, no dia 22 de novembro de 2014.


- Nosso glossário possui 31 termos.

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